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Ponte Santos-Guarujá pode absorver 50% do tráfego de balsas

O projeto do Governo do Estado de construção de uma ponte ligando as duas margens do Porto de Santos foi debatido na manhã desta segunda-feira (23) em encontro realizado na Associação Comercial de Santos (ACS). O evento teve início às 9h30, com presença de autoridades do setor. O presidente da Ecovias Rui Klein, da Ecovias, responsável pelo projeto, fez uma apresentação inicial.

Ele destacou que a estrutura deve promover o escoamento do volume do tráfego existente, hoje, na travessia de balsas entre Santos e Guarujá.

Pela projeção concessionária, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), 50% do volume de veículos que atualmente trafegam pelo canal do Estuário devem migrar para a ponte.

Klein reforçou que haverá pedágio, nos mesmos moldes que há para quem segue de Guarujá para a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, ou como a cobrança existente na balsa, no lado de Guarujá rumo a Santos.

“Gostaria de destacar que este valor é para manutenção da estrutura. Uma obra desse porte não tem como ser custeada com pedagiamento”, disse.

Além disso, o presidente explicou que o pedágio evita que haja uma migração maior no volume de veículos e uma saturação da estrutura.

Segurança

Rui Klein procurou tranquilizar os presentes quanto a navegabilidade do canal por causa da ponte. Segundo ele, o vão de 85 metros de comprimento garante a navegação para todos os tipos de embarcação.

“Construíram uma ponte no Panamá, no principal canal, de 60 e poucos metros e não atrapalhou. Aqui, com 85 metros, temos uma segurança até para movimentações futuras”, disse o representante da Ecovias.

Ele também disse que a ponte não prejudicará o futuro Aeroporto Civil Metropolitano, em Guarujá.

Segundo Klein, a estrutura, apesar de ferir o zoneamento aéreo, não interfere em pousos e decolagens, interagindo com o equipamento, uma vez que não há prejuízo e há interesse público.

Manobra é viável

Segundo o capitão dos Portos do Estado de São Paulo, Daniel Américo Rosa Menezes, ainda faltam estudos para que a Capitania emita um parecer técnico.

No entanto, com os documentos já obtidos, a Marinha emitiu em posicionamento que “fruto do que já foi observado, em questão de manobra, ela (a ponte) é viável. A empresa (Ecovias) pode prosseguir com o detalhamento do projeto.

O capitão de mar e guerra reforçou que a Marinha representa apenas uma fração do projeto inteiro e que cabe a ela somente emitir um parecer técnico.

“A Marinha tem a visão de que a decisão sobre a ponte é política, econômica e que não cabe a Marinha se posicionar. Cabe a nós apenas os aspectos técnicos”, disse Rosa Menezes.

Segundo o presidente da Praticagem de Santos, Carlos Alberto de Souza Filho, o órgão fará o possível para viabilizar o sucesso do projeto da ponte que ligará as margens do Porto de Santos.

“O projeto da ponte permite a navegação, com adaptações de algumas manobras, em prol da segurança”, explicou.

Souza Filho disse ainda que o ideal seria que não houvessem pilastras dentro da água. Segundo ele, “isso eliminaria os riscos agregados da ponte”.

Codesp diz estar aberta a discussão

O diretor presidente da Companhia Docas do estado de São Paulo, Casemiro Tércio Carvalho, manteve a postura de predileção pelo projeto do túnel em detrimento da ponte. Entretanto, ele adotou um discurso mais concilador, reforçando que a Codesp está aberta para discussão.

“Nossa postura é de proteger o maior ativo que temos, que é o canal”, disse. Carvalho destacou que não adiantarão os investimentos, como na malha ferroviária, se existirem impedâncias, se o Porto for ineficiente.

Para o diretor presidente da Codesp, o túnel reduziria em 30 mil passageiros/dia as catraias, bem como as balsas, o que melhoraria a navegação.

“Fizeram simulações com modelos de terminais atuais, mas que, na minha visão, não estão prevendo os projetos futuros da expansão portuária”, comentou.

Melhor solução para este momento

O secretário estadual de Transporte e Logística, João Octaviano Machado Neto, ressaltou que a ponte é o “melhor projeto para este momento”, mas que ele não inviabiliza outros.

“Simulações mostram que a ponte não gera perda na movimentação. Existe só um caso da expansão do terminal da BTP, mas que já está em discussão com a empresa”, reforçou o titular da pasta.

Machado Neto disse que os ajustes necessários serão feitos, mas que é preciso ter uma visão ampla, em um debate “com uma visão desapaixonada”.

“Não é a distância entre pilares que irá limitar. A engenharia é desenvolvida para solucionar esses problemas. Todos os entes estão empanhados. O governo estadual, o governo Federal. Agora é a hora da solução”, comentou.

Balanço positivo

O diretor-presidente da Associação Comercial de Santos (ACS) e da TV Tribuna, Roberto Clemente Santini fez um balanço positivo sobre os debates realizados na manhã desta segunda-feira. Ele destacou a importância de se abordar o projeto, uma vez que ele tem interação direta com a movimentação de cargas no Porto de Santos.

“A Associação Comercial, com a sua história, traz grandes temas importantes. Esse é um tema muito importante, pois é uma ponte que está sendo proposta pelo Governo do Estado que, com certeza, trará muitos benefícios. Ao mesmo tempo, passa pelo nosso Canal de Bertioga, que é o nosso bem mais valioso aqui da região, foi o que impulsionou o Porto de Santos. Tudo graças ao Canal de Bertioga”, disse o diretor-presidente da ACS.

“O evento foi muito explicativo. Tínhamos ali vários setores que não estavam muito atualizados com o projeto. Ele foi dividido entre apresentação, posição das autoridades envolvidas, e depois abrimos para discussão entre os associados. Acho que o objetivo era de trazer aos associados todas as abordagens sobre esse evento. Acho que concluímos com sucesso. Todos que saem daqui estão com uma visão melhor, mais aprofundada, dessa proposta do Governo do Estado”, concluiu Santini.

Fonte: A Tribuna, Santos; Foto obtida da web
(26/09/2019)
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