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Petróleo a US$ 1,02/barril

Liquidação: Petróleo dos EUA é negociado no negativo pela primeira vez na história.

Os contratos futuros do petróleo dos EUA (WTI) para maio, que expiram amanhã, atingiram pela primeira vez o território negativo, em sessão marcada pela renovação das mínimas históricas ao longo do dia. O contrato futuro para maio chegou a ser negociado a -US$ 1,43, queda de mais de 100%. É isso mesmo, o petróleo é negociado a dólar negativo.

O recuo ocorre enquanto produtores e comerciantes lutam para encontrar lugares para armazenar o excesso de oferta devido à queda na demanda causada pelo surto de coronavírus, explicitado pelo descompasso de preço entre os contratos futuros para maio e junho. Analistas disseram que as liquidações foram intensificadas pela iminente expiração do contrato de primeiro mês para que players para evitem a entrega física de cargas que eles não podem vender nem armazenar. . Além disso, indicadores econômicos da Alemanha e do Japão divulgados hoje lançam um cenário sombrio para a economia global.

Às 15h15, o contrato futuro do WTI para maio, com vencimento amanhã, era negociado a -US$ 1,43, um desconto de US$ 22 por barril em relação ao contrato futuro para junho - cifra também recorde. O contrato para junho, em que está concentrada a maior parte dos juros e volumes abertos tem caía 15,62% a US$ 21,05 por barril.

A bolsa de Chigado, CME, confirmou que o contrato de maio do WTI poderá operar no negativo, como ocorreu com o barril negociado no Canadá pela manhã. Com a garantia física de entrega, se o contrato fechar no negativo, o produtor deverá pagar para retirar o petróleo disponibilizado no ponto de entrega.

Já o petróleo Brent recuava US$ 2,26, ou 8,37%, a US$ 25,87.

Os preços do petróleo Brent colapsaram em cerca de 60% desde o início do ano, enquanto o petróleo dos EUA recuou cerca de 85% no período, para níveis muito abaixo do ponto de equilíbrio (o chamado "break-even") necessário a muitos produtores de "shale" (petróleo não convencional). Isso levou à interrupção de perfurações e a drásticos cortes de gastos.

Contexto

O que está em questão para o preço na mínima histórica é a grave queda na demanda global causada pelo desligamento quase universal para combater a propagação do surto de coronavírus. A indústria de petróleo vem reduzindo a produção para tentar combater um declínio estimado de 30% na demanda de combustível em todo o mundo, mas os cortes de produção da Opep e aliados, incluindo a Rússia - no valor de 9,7 milhões de barris por dia - só terão efeito a partir de maio.

Como conseqüência, os produtores têm lutado para encontrar lugares para armazenar o excesso de petróleo.

Atualmente, 160 milhões de barris de petróleo estão sendo armazenados em navios-tanque, informou a Reuters, uma quantidade recorde e acima dos 100 milhões de barris armazenados no mar durante a crise financeira de 2009.

Além disso, o volume de petróleo retido nos estoques dos EUA, especialmente no ponto de entrega de Cushing para o contrato do WTI em Oklahoma, está aumentando rapidamente em meio a estimativas de que essa unidade de armazenamento poderá estar cheia até meados de maio.

"Como a produção continua relativamente incólume, o armazenamento está se enchendo a cada dia. O mundo está usando cada vez menos petróleo e os produtores agora sentem como isso se traduz em preços", disse o chefe de mercados de petróleo da Rystad, Bjornar Tonhaugen.

*Com contribuição de Reuters

Fonte: Reuters, Investing.com; Imagem da web
(20/04/2020)
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