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Mercado de Açúcar: Cisnes negros, Açúcar e Futebol

Uma vez mais o mercado de açúcar em NY tentou se aproximar dos 24 centavos de dólar por libra-peso sem muita convicção. O vencimento de março de 2010 fechou a semana com queda de quase 6 dólares por tonelada enquanto os demais meses fecharam com alta. A curva de preços ficou mais firme para os vencimentos mais longos numa indicação de que a oferta e demanda de açúcar no cenário mundial continuará com déficit ou, na melhor das hipóteses, com situação equilibradíssima, não dando espaço para uma queda substancial nos preços.

Falar sobre direção dos preços em commodities é sempre muito arriscado. Mas dissemos nesse espaço, à exaustão, que acreditamos que já vimos a alta do mercado. Ou seja, difícil imaginar um cenário em que os preços em NY possam retornar aos 26,25 centavos de dólar por libra-peso alcançados em 1º de setembro. De lá para cá, a posição em aberto na bolsa (número total de contratos que ainda não foram liquidados) caiu mais de 100.000 lotes, o equivalente a 5,1 milhões de toneladas de açúcar que foram liquidadas com realização de lucros por parte dos fundos, principalmente.

O prêmio de branco (diferença entre o refinado negociado em Londres e o açúcar bruto negociado em NY) potencialmente alto tem dado suporte ao mercado. Demanda por parte da Indonésia por 500.000 toneladas e a da Índia começando a consolidar seus números de eventualmente baixa produção, empurraram o mercado para cima no meio de fixações por parte dos produtores que aproveitam todo e qualquer rally (subida repentina de preço após um declínio) que surja pela frente.

O preço do etanol caiu na semana passada em função da necessidade premente das usinas fazerem caixa para atender aos inadiáveis compromissos do 13º. Nessas horas, esqueça a oferta e demanda. O álcool é a maneira mais rápida de ser fazer caixa para a usina e nem sempre os preços se comportam de maneira racional.

A volatilidade histórica do mercado continua caindo, agora chegando aos 25,9%. A volatilidade implícita das opções escorregou mais ou menos 2% na semana para alegria daqueles que estão vendidos opções.

Citamos algumas vezes nesse espaço o investidor Nassim Taleb, que se notabilizou recentemente com o livro "The Black Swan" (O Cisne Negro). Segundo Taleb, ninguém sabia da existência de cisnes negros até a descoberta deles na Austrália, no século 17, e passou-se a usar o termo cisne negro para ilustrar um fato tido como altamente improvável ou mesmo a existência do improvável. Taleb descreve no seu livro um paralelo entre a ocorrência de eventos inesperados nos mercados usando a analogia do cisne negro. Como trader, ele diz sempre procurar eventos improváveis no mercado para ganhar dinheiro. Num outro livro, Iludido pelo Acaso, ele menciona que seu desempenho como trader nos mercados sempre foi a de perder consistentemente dinheiro, mas em pequenas quantidades e ganhar muito dinheiro, em eventos inesperados. Há dois meses comentamos que a chance (estatística) do mercado chegar a 66 centavos de dólar por libra-peso (então prevista por um investidor), era a mesma de o Santos ser campeão brasileiro esse ano, ou do Fluminense escapar do rebaixamento. Das 3 improváveis naquele momento, uma deve se concretizar nesse final de semana. É o tal do Cisne Negro.

No Fundo Fictício da Archer Consulting ajustamos a posição na semana vendendo 100 lotes de março 2010 a 23,02. Fechamos a semana com uma posição no delta equivalente a 124 lotes comprados. Se o março negociar a 23,56 vamos comprar 100 lotes para zerar o delta (que short 100) ou venderemos 200 lotes se o março cair para 22,17 para zerar o delta (que estará long 200). Ganhamos time-value na semana e na queda de 1,5% da volatilidade, perfazendo um total de US$ 323.578,17. Com isso, elevamos nosso ganho total no ano para US$ 3.574.594,56, com retorno anualizado de 419,65% (novo recorde).

Fonte: Arnaldo Luiz Corrêa-Archer Consulting
(09/12/2009)
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