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Mercado de Açúcar: Não vai ter garçon triste na cidade

– Comentário Semanal – de 14 a 18 de dezembro de 2009.

O mercado de açúcar em NY fechou a semana com uma alta de quase 45 dólares por tonelada no vencimento de março/2010, atingindo novas máximas (26,94 – maior cotação desde janeiro de 1981). O vencimento de maio/2010 fechou com alta de 28 dólares por tonelada, enquanto o julho/2010 cresceu 14 dólares por tonelada. Os vencimentos de maio/2011 em diante, tiveram ganhos de 8 e 22 dólares por tonelada, respectivamente. A preocupação do mercado é com o “agora” e é uma clara percepção de que os preços serão declinantes nos próximos anos podendo, na opinião de muitos, sair de condição de invertido (quando os preços com vencimento mais curto são maiores que os de vencimento mais longo) para o custo e carrego (o oposto) mais adiante.

A diferença entre o março de 2010 e o de 2011 que era de 78 dólares por tonelada, passou para 120 dólares por tonelada. E a diferença entre o março de 2011 para o março 2012 que era de 62 dólares por tonelada, passou para 87 dólares por tonelada. A média de preços das máximas alcançadas nos futuros para a safra 2010/2011 é 22,67 centavos de dólar por libra-peso contra 18,75 centavos de dólar por libra-peso na safra 2011/2012. Os bons tempos de alta remuneração estão com os dias contados. Convém não vacilar.

O mercado de açúcar pegou muita gente de surpresa não apenas pela alta expressiva da semana, mas principalmente, pela velocidade com que os preços subiram. Um mercado que sobe quase 22% em uma semana não é um mercado que está amadurecendo ou amadureceu uma situação de oferta e demanda complicada, mas sim um mercado que age sob pânico. O diagnóstico preliminar é que alguém deve ter esperado muito tempo para tomar alguma decisão e quando a tomou, era tarde demais e, por sua movimentação no mercado, levou de roldão um monte de gente.

Vamos tentar esclarecer os fatos. Há um par de meses já se sabia que muitas usinas sentaram-se à mesa de negociação com algumas tradings. Os preços fixados por elas junto às tradings, em níveis inferiores ao mercado no momento da renegociação, comparados aos atraentes preços no mercado doméstico e a perspectiva de menor moagem por conta do excesso de chuvas no Centro-Sul formaram uma combinação perfeita para o que se chama de wash-out (cancelamento de contrato comercial entre as partes).

O wash-out pode ser feito de duas maneiras: numa, as usinas cancelam seus contratos de venda de açúcar recomprando os hedges junto às tradings, sendo que a diferença entre o preço que hedge foi feito e o da recompra do mesmo é transformada em açúcar para entrega na próxima safra. Se as usinas quiserem fixar o preço no mesmo instante, as tradings vendem os contratos futuros no mês correspondente à entrega. Noutra, as usinas cancelam seus contratos de venda de açúcar recomprando os hedges junto às tradings, sendo que o saldo devedor é renegociado ou tratado como empréstimo acrescido de juros e outros ônus comerciais. Até aí nada de novo.

Operacionalmente, no primeiro caso, a trading recompra o março e vende o maio; no segundo, ela apenas recompra o março. Ocorre que um volume estimado pelos traders entre 1.300.000 e 1.800.000 toneladas estariam nessas condições (de wash-out). No entanto, e aí pode estar boa parte da motivação dessa explosão de preços, algumas empresas apostaram que a diferença entre o março e o maio iria diminuir. Ou seja, não fizeram a rolagem que deveriam fazer lá atrás e tomaram o risco que a falta de demanda no mercado físico que se arrastou por várias semanas sem sobressaltos iria deixar o março mais barato e aí então elas efetivariam a rolagem, comprando o março mais barato e vendendo o maio. No entanto, isso não ocorreu e a maciça compra dos spreads que operacionalizam a rolagem mencionada deflagrou compras agressivas por parte dos especuladores, elevando a posição em aberto em pelo menos 50.000 lotes (mais de 2,5 milhões de toneladas de açúcar) em apenas 5 dias de pregão. O spread, só essa semana subiu 17 dólares por tonelada.

Outra coisa “mortal” essa semana foi a chamada de margem. Para 1.000.000 toneladas que uma trading hipoteticamente possua de contratos de açúcar no físico pendentes de entrega, ela teve que cobrir “apimentados” R$ 200 milhões para atender às margem dos hedges na bolsa. É o tal negócio, pimenta no fluxo de caixa dos outros é refresco.

A volatilidade história do mercado subiu mais de 6% na semana. A volatilidade implícita das opções deu uma chinelada em quem estava vendido. No março, subiu de 38.76% na semana passada para mais de 54% nessa semana. Pode anotar aí: venda volatilidade porque ela não vai agüentar. Se quiser ficar vendido venda calls (opções de compra) se quiser ficar comprado venda puts (opções de venda).

Uma curiosidade: se pegarmos os últimos 10 anos, das 20 maiores variações absolutas de preço num só dia (diferença entre a mínima e a máxima negociadas no dia) 15 ocorreram em 2009! A maior foi no dia 4 de setembro deste ano com a máxima em 23,64 e a mínima em 20,50. Outra curiosidade: das 20 maiores variações relativas de preço num só dia, 70% ocorreram depois do dia 22 do mês. Portanto, prepare-se para a próxima semana. E não estou falando da visita do bom velhinho Noel, não.

Dentro da característica que sempre nos pontuou de “dar a cara pra bater” e não se importar em “ficar bem na fotografia”, pois o nosso compromisso é com o debate de idéias, assumimos aqui há algum tempo que já teríamos visto a alta do mercado (26.25 em 1º de setembro). A convicção baseada nos fundamentos fez-me apostar alguns almoços e jantares. O resultado disso é uma notícia boa e uma ruim. A notícia ruim (para mim pelo menos) é que perdi a aposta. A notícia boa é que não vai ter garçom triste na cidade.

No Fundo Fictício da Archer Consulting, conforme disséramos, ajustamos a posição na abertura do mercado na segunda-feira, comprando 312 lotes a 24,07. Com a subida da volatilidade fechamos tivemos um prejuízo de US$ 563,299,21, uma vez mais diminuindo nosso lucro acumulado no ano para US$ 2.561.222,03, com retorno anualizado de 274,97%. Agora estamos vendidos 349 lotes e vamos zerar a posição na segunda-feira vendendo 1.350 puts (opções de venda) de preço de exercício de 23,50 centavos de dólar por libra-peso e ajustaremos a partir daí, com futuros, toda vez que ultrapassarmos o limite de 200 lotes, comprado ou vendido.

Gostaríamos desejar aos nossos clientes, leitores, amigos e colaboradores um Feliz Natal e um Ano Novo com muita paz, prosperidade, saúde e energia. No começo de 2010, a Archer Consulting inaugura um novo site, mais moderno e em linha com a nossa preocupação de oferecer um serviço cada vez melhor. O próximo comentário será enviado no final de semana de 16/17 de janeiro de 2010. Até lá.

Boas Festas para todos !!

Fonte: Arnaldo Luiz Corrêa-Archer Consulting
(21/12/2009)
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