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Argentina: indústria investirá US$ 37 mi na produção de etanol

A indústria argentina de açúcar Ledesma anunciou nesta segunda-feira (21) investimentos de US$ 37 milhões na produção de etanol. Durante reunião com a presidente Cristina Kirchner, na residência oficial de Olivos, o presidente da Ledesma, Carlos Pedro Blaquier, e o CEO da companhia, Federico Nicholson, disseram que a cifra faz parte de um pacote de investimentos de US$ 222 milhões para o período 2008 a 2011.

O ministro de Planejamento Federal, Julio de Vido, afirmou que a produção de etanol "será integrada ao regime de substituição de 5% de gasolina por biocombustíveis a partir do dia 1º de janeiro" de 2010. Em entrevista coletiva à imprensa, De Vido explicou que para obedecer à lei que exige a mistura, os motores não terão que ser adaptados. Também destacou que "a estrutura dos custos de comercialização e o preço dos combustíveis ao consumidor não mudará nada".

A Lei de Biocombustíveis argentina foi aprovada em 2006, mas o país não se preparou com tempo para cumpri-la. Em agosto último, De Vido convocou os produtores de cana e os executivos das companhias de petróleo para assinar uma ata, na qual reconheceram a impossibilidade de cumprir a meta de adicionar à gasolina 5% de combustível ecológico até 2010. A mistura será feita paulatinamente por falta de insumos que atendam toda a demanda.

As principais companhias petrolíferas participaram da mencionada reunião: Petrobras, Repsol-YPF, Esso e Shell. Esta última não assinou o documento, alegando não concordar com um documento que avaliza o descumprimento de uma lei nacional. Segundo explicou uma fonte da companhia, por ocasião da assinatura da ata, "o correto é mudar a lei ou editar um decreto, assumindo a responsabilidade pelo não cumprimento de uma lei". A Associação de Fábricas de Veículos Automotores (Adefa), a Anfavea local, e 11 engenhos, entre eles Atanor, Minetti e a própria Ledesma, assinaram o documento.

No documento, os 11 engenhos se comprometem a abastecer as petrolíferas com um volume de etanol de 183 mil metros cúbicos durante 2010. Esse etanol só cobre 65% do volume necessário para a adição de 5% à gasolina. O etanol será distribuído conforme a participação média dos últimos 12 meses da petrolífera no mercado doméstico. A maior fatia ficará para a espanhola-argentina Repsol-YPF, que é a líder em produção e vendas no mercado nacional de gasolina.

Segundo dados disponíveis da Secretaria de energia, a companhia abasteceu 56% do mercado de gasolina super, nos primeiros seis meses de 2009, com a venda de quase 1,2 milhão de metros cúbicos do combustível. Em segundo lugar, com 15% do market share deste segmento, se encontra a Shell, seguida pela subsidiária da Petrobras, Petrobras Energía, com 12,44%, e pela Esso, com 11,45% da demanda doméstica.

Ao receber o volume de etanol, a petrolífera vai decidir quais os produtos receberão a mistura, que deve ser de 5% a 10%, e em quais regiões serão comercializados, conforme prevê a lei. No mercado, os especialistas alertam que a oferta da gasolina misturada ao etanol tem que ser uniforme em todo o país para evitar problemas técnicos nos motores dos automóveis.

Fonte: Agência Estado\UDOP
(22/12/2009)
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