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Mercado de Açúcar – Comentário Semanal – de 11 a 15 de janeiro de 2010

O mercado de açúcar continua em seu espetacular desempenho sem perspectivas de queda para esse primeiro trimestre de 2010. Os níveis de preço que vimos até agora ultrapassam de longe os mais otimistas participantes deste mercado. Pessoalmente, achava que 26,25 era o topo. Depois disso o mercado negociou novas máximas alcançando o pico de 28,90. No mercado de exportação, alguns negócios foram feitos com prêmio de 10 pontos sobre o março, para embarque imediato.

Existem vários pontos que dão sustentação ao otimismo para 2010. O difícil é traduzi-los em termos de preços, pois a curva do açúcar em NY é demasiadamente invertida. Isto é, para que o outubro de 2010, por exemplo, tenha o mesmo nível de março de 2010, precisaríamos de uma alta de 34% naquele mês. O março de 2011, por sua vez, está 30% abaixo do março de 2010. Essas distorções ocorrem porque o sentimento é de extrema volatilidade e a oferta e demanda de curto prazo estão muito suscetíveis a qualquer alteração de disponibilidade.

Continuo não acreditando nesses spreads malucos que pagam mais de 60 dólares por tonelada de prêmio para um açúcar para entrega em maio em relação a um açúcar para entrega em julho!! Isso não vai se sustentar. Tão logo tenhamos um quadro mais claro da Índia, cujo governo aprovou a extensão no prazo para importação de açúcar refinado livre de impostos e autorizou o processamento de demerara objetivando aumentar a oferta e aliviar a pressão sobre os preços, e do Brasil, que deverá crescer em volume de cana, a tendência é de que os preços se ajustem e a curva invertida passe a ter uma inflexão menor nos vencimentos mais curtos. No popular, as cotações devem cair. Mas elas irão? No março pode ser mais difícil. Especialmente quando se tem o mundo todo falando de açúcar. E vários gurus apostando que não vimos a alta ainda, pois acreditam que as perspectivas de recuperação na produção indiana estão muito comprometidas. Se isso for verdade, esse clima pode prevalecer o primeiro trimestre desse ano. Essa é a sombra que paira sobre o mercado. É bom lembrar que a palavra guru, entre várias interpretações etimológicas, baseia-se na metáfora de sombra e luz, em que o Gu significa sombra e Ru aquele que dispersa. Portanto, o guru é aquele que remove a escuridão da ignorância.

O Brasil fechou o ano de 2009 com uma exportação de açúcar de 24.294.090 toneladas de açúcar num total de US$ 8.377.818.489, com preço médio de 15 centavos de dólar por libra-peso. Esse volume representa um acréscimo de 24,75% em relação à exportação de 2008. A estimativa da Archer Consulting em julho de 2009 era de uma exportação de 24 milhões de toneladas. A exportação de álcool no mesmo período foi de 3,296 bilhões de litros, arrecadando US$ 1.337.909.795, com preço médio de US$ 405,90 por m3. Esse volume representa uma queda de 35% em relação a 2008. Nossa estimativa era de 3,3 bilhões de litros.

Em 2009, o Brasil exportou 4,8 milhões de toneladas de açúcar a mais do que o ano anterior. As exportações para a Índia que em 2008 foram de 160.000 toneladas, em 2009 alcançaram 4.367.000 toneladas, ou seja, as importações indianas foram responsáveis por 87% do volume exportado a mais pelo Brasil no ano passado.

De acordo com o modelo da Archer Consulting, o volume fixado de açúcar pelo Brasil para a safra 2010/2011, até o dia 07 de janeiro, incluindo o que foi rolado da safra 2009/2010 é de 6,934 milhões de toneladas com um preço médio (sem a rolagem) de 19,91 centavos de dólar por libra-peso. A falta de crédito e a restrição por parte das tradings de permitir a fixação das usinas para períodos de embarque mais longos são a principal razão desse volume modesto (menos de 30%).

Para atender ao volume acima, as tradings devem ter remetido de chamada de margem por conta da variação do mercado em relação ao preço médio fixado, um volume superior a 1,2 bilhão de dólares provocando uma redução substancial no fluxo de caixa das empresas no equivalente a mais de 2,2 milhões de toneladas de açúcar. A posição em aberto nas opções é de quase 1.200.000 contratos. O delta dela equivale a 440.000 contratos futuros. As puts (opções de venda) têm delta médio de 0,10 enquanto as calls (opções de compra) têm delta médio de 0,56. Isso mostra que muita gente fez proteção usando fence, ou seja, a compra de uma put (opção de venda) concomitante a venda de uma call (opção de compra) até mesmo para reduzir as margens até que as opções virem contratos futuros.

As correlações entre os preços de açúcar ESALQ, açúcar NY e álcool anidro e hidratado estão cada vez maiores, facilitando a estrutura de hedge de um produto usando a bolsa de NY. Se por um lado isso é bom, pois dá mais segurança àqueles que querem estruturar seus hedges de álcool usando NY ou ESALQ, por outro abranda a urgência de se ter um mercado futuro de etanol enquanto estruturas paralelas parecem estar dando certo.

A volatilidade das opções chegou a subir 6% na semana retrasada. Ainda está muito alta o que não incentiva a compra de opções.

No Fundo Fictício da Archer Consulting, ajustamos a posição toda vez que o limite em risco ultrapassou 200 lotes comprados ou vendidos. Assim, no período de recesso deste relatório, conforme informado, no dia 18/12 vendemos 1350 puts (opções de venda) de março/2010 preço de exercício de 23,50 centavos de dólar por libra-peso e coletamos um prêmio de 0,85. A partir daí, dia 24/12 compramos 200 lotes (sempre no março/2010) a 26,96; dia 5/1 compramos mais 200 a 27,91; dia 6/1 mais uma compra de 200 a 28,54; dia 11/1 vendemos 200 a 27,30 e dia 13/1 compramos 200 lotes a 28,12. Nossa posição na sexta-feira era de apenas 3 lotes vendidos. Vamos ajustar a posição caso o março negocie 26,78 ou 29,39 centavos de dólar por libra-peso. Estamos com um lucro acumulado de US$ 3.583.807,90 com retorno anualizado de 333.75%.

Fonte: Arnaldo Luiz Corrêa - Archer Consulting
(27/01/2010)
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