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Produção de cana é 9% menor em decorrência das chuvas no Centro-Sul

A produção de cana-de-açúcar na maior região produtora do país, o Centro-Sul, está cerca de 9% menor que o esperado para esta safra, em decorrência das condições climáticas desfavoráveis que assolam a região desde o mês de julho. Com menos cana processada, pelo menos 70 unidades permanecem moendo mesmo estando em plena entressafra, quando tradicionalmente as usinas seriam recuperadas para o próximo ciclo, que vai de abril à novembro. As informações fazem parte do levantamento da Unica que apura a colheita da cana entre os meses de abril de 2009 e a 1ª quinzena de janeiro de 2010.

Segundo o levantamento, nesses nove meses e meio, a região Centro-Sul processou 527 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, quando o estimado era uma safra de 580 milhões de toneladas, caso as condições climáticas fossem favoráveis.

As perdas também se refletem na produção de açúcar e etanol, que estão 14% e 15%, respectivamente, menores que o projetado no início da safra. Até 15 de janeiro as usinas da região haviam produzido 28,37 milhões de toneladas de açúcar e 22,90 bilhões de litros de etanol. A expectativa no início da colheita era de uma produção de 33 milhões de toneladas de açúcar e mais de 27 bilhões de litros de etanol, o que garantiria o abastecimento e ainda preços menos oscilantes nos períodos de safra e entressafra.

De acordo com a nota da Unica, "os números iniciais projetados para a atual safra traduzem a seriedade e responsabilidade dos produtores em ofertar açúcar e etanol tanto para o mercado interno como o externo. O início da safra era, de certa forma, o período mais preocupante devido a um excesso de produto mesmo com uma demanda interna crescente, reflexo do crescimento da frota de veículos flex e das incertezas do mercado externo".

"Se por um aspecto tudo apontava para recordes tanto na moagem de cana quanto na produção de açúcar e etanol, há de se notar que muitas empresas tiveram dificuldades na obtenção de crédito junto ao sistema financeiro. Isto fez com que estas mesmas empresas não conseguissem obter linhas de financiamento disponibilizadas pelo Governo Federal. Este cenário proporcionou uma oferta nos primeiros meses de safra (abril a setembro) muito superior aos volumes demandados, em níveis de preços baixíssimos, provocando um crescimento nas vendas de etanol hidratado no período superior a 25% comparado com o mesmo período do ano anterior", destaca a nota da entidade.

Pelo levantamento estima-se que as perdas de etanol fiquem em torno de 4 bilhões de litros e ainda perdas de 5 milhões de toneladas de açúcar. Com menor volume de etanol ofertado no mercado, os preços do biocombustível hoje não estão mais favoráveis em comparação com a gasolina, ocasionando uma queda nas vendas do produto superior a 10%, se comparado com o consumo da última quinzena de dezembro. Em apenas dois estados, segundo o levantamento, continua vantajoso abastecer com etanol, levando-se em conta a queda de rendimento de cerca de 30%.

"Mesmo assim, pode-se afirmar que os níveis de preços praticados nesta safra estão entre os quatro menores preços praticados nos últimos 10 anos, considerando-se a média de preço ao longo de toda a safra", conclui a nota.(Rogério Mian)   

Fonte: UDOP
(27/01/2010)
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