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Mercado de Açúcar: Maçarico teleguiado - Archer Consulting

MAÇARICO TELEGUIADO

O mercado de açúcar em NY fechou a semana com forte elevação nos primeiros meses de vencimento, chegando a uma alta de mais de 40 dólares por tonelada. Qualquer notícia acende a chama dos altistas e o maçarico teleguiado inicia seu vôo rasante perseguindo os vendidos que se desesperam com as chamadas de margem. Imagine o seguinte: só essa semana, a chamada estimada dos vendidos (tradings e usinas) é de US$ 475 milhões considerando um volume de quase 12 milhões de toneladas fixadas a embarcar cuja troca de futuros ainda está pendente.

Existem dois pontos analisados pelo modelo da Archer Consulting que merecem comentário. O primeiro é que tivemos uma semana em que o volume de fixações apurado pelo modelo foi um dos menores do passado recente. Isso é uma indicação de que as usinas não estão fixando o remanescente da safra 2009/2010, seja por temer as conseqüências no seu fluxo de caixa, seja porque as tradings estão fechando a torneira e admitindo fixações apenas para açúcares que serão embarcados em 45/90 dias, ou ainda por que elas (as usinas) aguardam pelo Santo Graal dos 30 centavos de dólar por libra-peso em março de 2010. Amém. O segundo, que tem relação com o primeiro, é que são necessárias poucas toneladas para mover o mercado. Explico: em junho passado o mercado estava tão consolidado nos níveis que negociava que para o preço mover um pontinho (US$ 0,22 por tonelada) "precisava” de 60.000 toneladas. Nesta semana que passou, com apenas 3.000 toneladas se mudava um ponto. Para encurtar uma longa história: falta volume (hedge de venda) e o mercado sobe no vazio.

Adicionem à receita acima alguns ingredientes, quais sejam, as perspectivas consistentemente ruins da safra indiana, a recente chuva no Centro-Sul que coloca em xeque a produção de 550 milhões de toneladas, e uma recompra estratégica por parte de um grande player de volume substancial de calls (opções de compra) com preço de exercício de 40 centavos de dólar por libra-peso contra março de 2010, que sobressalta o mercado. Tudo muito bem trabalhado.

Um experiente líder do setor diz por e-mail que "as chuvas vão produzir um estrago muito maior do que se fala”, e elabora que em agosto choveu o equivalente a 3 ou 4 dias parados. Dessa forma, pondera, "considerando que SP e PR perfazem 78% do Centro Sul, a conta é 78% vezes 4 dias parados vezes 2,74 milhões de toneladas por dia”, equivalem a 8,55 milhões de toneladas que deixaram de ser moídas. No mix atual, isso significa 500 mil toneladas de açúcar e 400.000 litros de álcool a menos. E dispara: "a cobra já está fumando”.

Apesar do fechamento robusto na sexta, o mercado até que se comportou bem durante a semana. Chegou a ser até sonolento olhar a tela que pouco se alterava. Pois é, diz a Bíblia das Commodities que mercados cujos intervalos diários de preço são muito voláteis e acabam encerrando a semana praticamente inalterados, demonstram que já estão exaustos nos níveis de preço máximo alcançados. Em outras palavras, muito se falava que as chances de o março de 2010 continuar sua rota estratosférica estariam se exaurindo. Com a chegada do vencimento do outubro para os próximos vinte e poucos pregões, pensava-se que a maior cotação já havia sido vista. Ledo engano. Vamos ainda ter sobressaltos nos próximos pregões até que se chegue perto do vencimento de outubro.

A curva de preços para os vencimentos após março/2010 é descendente e a pressão sobre os preços está aumentando. Na semana retrasada, por exemplo, a média da safra 2010/2011 era 8,8% abaixo da safra 2009/2010; e a 2011/2012 era 15,2% menor que a 2010/2011. Nesta semana, afundou ainda mais, para 11% e 16,5% respectivamente. Enquanto uma venda em NY contra outubro de 2009, com hedge cambial, liquida R$ 44,34 por saca posto usina, para outubro de 2010 passa a liquidar R$ 41,02 e outubro de 2011, R$ 34,90. A tendência é que aumente a pressão sobre os preços em função do retorno estimado sobre o custo de produção, que é de 93% em 2009 e 52% no 2011. Isso não vai permanecer assim. Pensar numa fence não faz mal a ninguém.

O ex-secretário de Política Monetária do Ministério da Fazenda e sócio da MB, José Roberto Mendonça de Barros, afirmou em recente entrevista a AE não ter dúvidas de que o real vai se valorizar, devendo atingir R$ 1,80 em curto espaço de tempo. Isso quer dizer o seguinte: a sua habilidade de travar câmbio para os vencimentos mais longos vai fazer a diferença para o acionista depois.

Não é hora para comprar estruturas de longo prazo usando OTC, as volatilidades estão pela hora da morte. Consumidores domésticos de açúcar podem se preparar para ver ESALQ chegar a 57,00. E de pensar que circulavam no mercado estruturas de proteção ao nível de R$ 32,00 no começo do ano, é de morder o calcanhar....

No Fundo Fictício da Archer Consulting, os 1.000 lotes do straddle (opções de compra e venda do mesmo preço de exercício) de preço de exercício 23,50 centavos de dólar por libra-peso, apresentam um prejuízo não-realizado de US$ 597 mil (o prêmio que vendemos a 642 hoje vale 703). Se o mercado subir mais 50 pontos no Março, vamos ajustar o delta comprando futuros.(Arnaldo Luiz Corrêa)

Fonte: Archer Consulting
(09/09/2009)
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